Se eu pudesse resumir, diria que 2025 tem sido — fora o período da pandemia — o ano mais difícil da minha vida profissional.
Comecei com desafios na equipe e, ao mesmo tempo, com uma revolução batendo na porta: a inteligência artificial. A cada semana, os processos mudam, e a fotografia ganha outros moldes.
Costumo brincar que, hoje, a gente acorda desatualizado todos os dias.
Um dos pontos mais delicados foi decidir até onde eu deixaria a IA entrar no meu trabalho. Tecnicamente, eu poderia pegar a foto de um cliente e colocá-lo em qualquer cenário de trabalho. Ou criar uma cena natalina sem precisar de ensaio. Avaliei essa possibilidade, testei… mas decidi não seguir por aí. Pelo menos por enquanto.
No estúdio, já usamos IA em várias etapas — inclusive na finalização de fotos. Isso transformou o fluxo de trabalho, encurtou caminhos e melhorou a qualidade.
Mas entendi que dá para incorporar tecnologia sem perder meu estilo fotográfico, que sempre buscou naturalidade, verdade e poucos artifícios. É aqui que eu travo: na falta de verdade.
Pra mim, fotografia ainda é documentar. É parar um instante no tempo e registrá-lo. Isso é diferente de gerar uma imagem nova do zero.
Gosto da ideia de coautoria com a IA, mas ainda não me sinto confortável em oferecer essa solução. Não vejo isso, hoje, como parte da minha fotografia.
E claro: não é uma posição definitiva — tudo tem mudado muito rápido.
Mas, por enquanto, sigo assim: uso a IA para agilizar e melhorar processos, mas não para substituir o objeto do meu trabalho.
Essa sou eu hoje. Amanhã pode ser diferente.